Renata Abreu propõe cirurgias reparadoras no SUS para pacientes bariátricos

Um projeto de lei de autoria da deputada federal Renata Abreu (Podemos-SP) quer mudar a vida de milhares de brasileiros que enfrentam um problema sério depois da cirurgia bariátrica: o excesso de pele. O PL 6510/2025 propõe que as cirurgias reparadoras funcionais passem a fazer parte oficialmente do tratamento da obesidade no Sistema Único de Saúde (SUS).

Na prática, procedimentos como retirada de pele da barriga, braços, coxas e redução das mamas deixam de ser tratados como algo apenas estético e passam a ser reconhecidos como tratamento de saúde.

Após a bariátrica, muitos pacientes perdem grande quantidade de peso, mas ficam com sobra de pele que provoca feridas, inflamações repetidas, infecções, dores e até dificuldade para se movimentar. Atividades simples do dia a dia, como tomar banho, caminhar, trabalhar e manter a higiene pessoal, tornam-se um desafio constante. Além disso, o impacto emocional é profundo, com queda da autoestima, ansiedade e episódios de depressão, fatores que prejudicam a recuperação e afastam muitos pacientes do acompanhamento médico.

Para a deputada Renata Abreu, esse sofrimento precisa ser enfrentado como uma questão de saúde pública. “O excesso de pele após a bariátrica não é apenas uma questão de aparência. Ele provoca problemas de saúde, como dermatites, infecções e dores, e cria barreiras para atividades básicas do dia a dia. Soma-se a isso o impacto psicológico, com queda da autoestima, ansiedade e episódios de depressão, que prejudicam a reabilitação. É por isso que defendemos que a cirurgia reparadora seja tratada como direito à saúde, não como vaidade.”

Os números mostram que esse problema é maior do que parece. Embora o Brasil seja o segundo país que mais realiza cirurgias bariátricas no mundo, com cerca de 70 a 80 mil procedimentos por ano, apenas uma pequena parte desses pacientes consegue fazer depois as cirurgias reparadoras necessárias. Pelo SUS, a diferença é ainda mais gritante. Nos últimos cinco anos, o sistema público realizou mais de 716 mil plásticas reparadoras, mas apenas 925 foram voltadas à retirada de excesso de pele.

Na avaliação da parlamentar, isso mostra que milhares de brasileiros passam pela cirurgia, mas ficam sem o tratamento completo depois. “A bariátrica salva vidas, mas não podemos abandonar o paciente no meio do caminho. Nosso projeto garante cuidado do começo ao fim”, defende Renata Abreu.

O texto do PL 6510/2025 determina que o Ministério da Saúde inclua as cirurgias reparadoras nos protocolos oficiais do SUS, atualize a tabela de procedimentos e organize a rede pública para garantir atendimento. A indicação será feita com critérios médicos claros, como comprovação da bariátrica, estabilidade de peso, laudo médico e avaliação por equipe multiprofissional.

Além de melhorar a vida das pessoas, a proposta também traz impacto positivo para o próprio sistema de saúde. Ao evitar infecções recorrentes, afastamentos do trabalho e agravamento de problemas emocionais, o SUS reduz gastos futuros e amplia a eficiência do atendimento.

Países como Canadá, França, Alemanha e Reino Unido já reconhecem as cirurgias reparadoras como parte do tratamento da obesidade. Para Renata Abreu, o Brasil precisa avançar no mesmo sentido, “com uma saúde pública que cuida da pessoa por inteiro, do corpo, da mente e da dignidade”.

 

Texto – Lola Nicolás

Foto – Juan Silva/Getty Images

 

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