Novela reforça luta de Renata Abreu por mais direitos para quem tem fibromialgia

A dor chega sem avisar. O corpo parece queimar. Levantar da cama é um desafio. Trabalhar, cuidar da casa ou simplesmente abraçar alguém exigem um esforço que poucos conseguem compreender. Os familiares e amigos perguntam: “O que você tem?”. A resposta nem sempre vem, porque os exames continuam normais.

Esse é o drama de Elisa, personagem da novela Quem Ama Cuida, exibida diariamente na TV. A trama está levando milhões de pessoas a conhecer uma doença que, durante décadas, foi cercada por dúvidas e incompreensão: a fibromialgia.

A repercussão da novela também dá visibilidade a uma causa que a deputada federal Renata Abreu (Podemos-SP) abraçou há anos. Uma das principais defensoras dos pacientes no Congresso Nacional, a parlamentar luta para transformar o reconhecimento da doença em direitos concretos para quem enfrenta dores permanentes e os altos custos do tratamento.

Renata Abreu é autora do Projeto de Lei 2748/2022, que propõe a isenção do Imposto de Renda sobre os proventos de aposentadoria e reforma de pessoas diagnosticadas com fibromialgia. A proposta equipara a síndrome a outras doenças graves já contempladas pela legislação, como câncer, esclerose múltipla, doença de Parkinson e HIV.

A ARTE IMITA A VIDA

Ao retratar dores constantes, cansaço extremo e a longa busca por um diagnóstico, a novela aproxima o público da realidade de 7 milhões de pessoas que convivem com a fibromialgia. E amplia o debate sobre um sofrimento que, por muito tempo, permaneceu desacreditado. Também ajuda a romper um dos maiores obstáculos enfrentados pelos pacientes: o preconceito.

Sem exames capazes de confirmar a doença, milhares de pessoas passaram anos convivendo não apenas com a dor, mas também com o descrédito de familiares, empregadores e, muitas vezes, até de profissionais da saúde.

RECONHECIDA POR LEI

Em janeiro entrou em vigor a Lei nº 15.176/2025, que reconhece a fibromialgia como deficiência, desde que as limitações sejam comprovadas por avaliação biopsicossocial realizada por equipe multiprofissional. A medida amplia o acesso aos direitos previstos no Estatuto da Pessoa com Deficiência e representa uma conquista histórica para milhares de pessoas invisíveis, durante anos, às políticas públicas.

Para Renata Abreu, porém, essa conquista precisa ser acompanhada por novas medidas capazes de enfrentar outra dura realidade: o alto custo do tratamento. “Agora precisamos garantir condições para que essas pessoas tenham uma vida mais digna.

A fibromialgia exige tratamento permanente, medicamentos de uso contínuo, fisioterapia, atividade física orientada, acompanhamento multidisciplinar e apoio psicológico. Despesas que comprometem boa parte da renda de milhares de famílias.

“A lei representa um avanço importante, mas quem tem a doença continua enfrentando enormes desafios físicos, emocionais e financeiros. Nosso projeto busca fazer justiça com essas pessoas, que já suportam diariamente uma carga muito pesada”, afirma Renata Abreu.

Na avaliação da parlamentar, a isenção do Imposto de Renda permitirá que aposentados utilizem recursos hoje destinados ao tributo para custear medicamentos, terapias e tratamentos indispensáveis à preservação da qualidade de vida.

Se a novela ajuda o Brasil a enxergar a fibromialgia, agora o desafio é transformar essa conscientização em novos direitos. É essa a bandeira que a parlamentar leva ao Congresso Nacional.

“O próximo passo é fazer com que esse reconhecimento se traduza em proteção social, alívio financeiro e mais dignidade para quem convive com uma dor que ninguém vê, mas que muda completamente a vida de quem a sente”, conclui a deputada federal Renata Abreu.

Texto: Lola Nicolás
Foto: Luís Felipe Morais

 

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