Era digital sem inclusão cria invisíveis sociais, alerta a deputada Renata Abreu

Uma nova categoria de cidadãos está surgindo. Não apenas no Brasil, mas em todo o mundo: os invisíveis sociais. “Estamos vivendo um abandono disfarçado de progresso”, alerta a deputada federal Renata Abreu (Podemos-SP), autora de dois projetos de lei voltados à inclusão de idosos, pessoas com deficiência e cidadãos de baixa escolaridade.

São pessoas que perderam parte da autonomia porque a sociedade se digitalizou mais rápido do que foi capaz de incluí-las nessa nova era. “A exclusão digital gera insegurança, dependência e até isolamento”, diz a deputada.

Para abrir uma conta bancária, movimentar dinheiro, agendar uma consulta médica, acessar um serviço público, fazer uma compra ou até identificar as informações de um produto, é preciso dominar aplicativos, senhas, QR Codes, reconhecimento facial e caixas eletrônicos. Mas, para  muitos cidadãos, essas ferramentas, em vez de facilitar a vida, tornaram-se barreiras.

Os bancos reduziram o atendimento presencial e transferiram grande parte dos serviços para aplicativos. Órgãos públicos digitalizaram procedimentos antes realizados no balcão. Supermercados substituíram caixas convencionais por equipamentos de autoatendimento. Empresas passaram a exigir reconhecimento facial para liberar o acesso a serviços básicos.

A maioria dos Idosos não sabe mexer no celular. Deficientes visuais também enfrentam obstáculos em aplicativos e plataformas digitais. E muitas pessoas deixam de acessar as informações disponíveis apenas por QR Code. O resultado é uma exclusão silenciosa. Muitos dependem de familiares ou até de desconhecidos para acessar a própria conta bancária, utilizar serviços públicos ou fazer compras. Outros simplesmente desistem. Há ainda os que escondem suas dificuldades por vergonha de admitir que não conseguem acompanhar uma sociedade cada vez mais digital.

Os dois projetos de Renata Abreu são voltados à inclusão social. O primeiro, PL 1818/2026,  altera a Lei Brasileira de Inclusão para impedir que o reconhecimento facial seja a única forma de acesso a aplicativos e plataformas digitais. A proposta garante alternativas de autenticação, preservando a autonomia de idosos, pessoas com deficiência visual e cidadãos que encontram dificuldades para utilizar essa tecnologia.

O segundo, PL 19/2025, modifica o Código de Defesa do Consumidor para tornar produtos e embalagens mais acessíveis. A proposta prevê informações em braile, marcações em relevo, letras ampliadas, contraste de cores, QR Code com conteúdo em áudio e embalagens com design ergonômico, facilitando o manuseio por idosos, pessoas com deficiência e consumidores de baixa escolaridade.

“Não podemos aceitar que a modernização exclua justamente quem mais precisa de proteção. Tecnologia deve aproximar as pessoas dos seus direitos, nunca as afastar”, afirma Renata Abreu.

Texto – Lola Nicolás

Foto – Pexels

 

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