Audiência pública na Câmara debate transformação das comunidades brasileiras

A pobreza não se combate apenas com discurso. Foi com esse foco que a Comissão de Desenvolvimento Urbano da Câmara dos Deputados realizou, nesta quarta-feira (29), uma audiência pública solicitada pela deputada federal Renata Abreu (Podemos/SP) para discutir como o projeto Favela 3D pode se transformar em uma política pública nacional de urbanização.

O debate reuniu representantes do governo, especialistas e integrantes da sociedade civil em busca de soluções concretas capazes de transformar comunidades vulneráveis em territórios mais dignos, conectados e desenvolvidos.

Criado pela ONG Gerando Falcões, o Favela 3D — sigla para Digna, Digital e Desenvolvida — aposta em um modelo integrado de transformação social que une moradia adequada, saneamento, inclusão digital, geração de renda, educação e acesso à saúde.

“O Brasil precisa parar de enxergar a favela apenas pela carência. Existe potência, talento e capacidade empreendedora nesses territórios. Quando a política pública se une a quem já entrega resultado na ponta, o impacto social ganha força e escala”, afirmou Renata Abreu durante a audiência.

O encontro aconteceu no Plenário 16 da Câmara e teve como principal objetivo discutir caminhos para ampliar o modelo em nível nacional, permitindo que experiências já aplicadas em comunidades brasileiras possam inspirar políticas estruturantes do governo federal.

Participaram da audiência promovida por Renata Abreu: deputado federal Keniston Braga; Edu Lyra, fundador da Gerando Falcões; Lucas Cepeda, diretor da Gerando Falcões; Daniela Buosi Rohlfs, do Ministério das Cidades; Alex Sandro Nazaré, do Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte; e Eduardo Dalbosco, do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social.

Especialistas defenderam que o combate à pobreza precisa ir além da construção de moradias. A proposta do Favela 3D prevê urbanização completa das comunidades, acesso à internet, capacitação profissional, fortalecimento do comércio local e acompanhamento social das famílias.

Um dos destaques apresentados foi a “Mandala de Impacto Social”, ferramenta utilizada pela Gerando Falcões para monitorar, família por família, a evolução das condições sociais e econômicas dos moradores atendidos pelo programa.

Experiências já implementadas em comunidades como a Favela do Haiti, em São Paulo, e o Residencial JK, em Goiânia, foram citadas como exemplos de resultados positivos alcançados pelo modelo, com melhorias em infraestrutura, qualificação profissional e geração de oportunidades para centenas de famílias.

Segundo Renata Abreu, a intenção é avançar em propostas legislativas que criem segurança jurídica e previsão orçamentária para ampliar políticas de urbanismo social no Brasil.

“Não basta melhorar um ponto isolado da comunidade. Precisamos transformar o território inteiro, garantindo dignidade, oportunidade e autonomia para as famílias”, destacou a deputada.

A expectativa é que o debate realizado nessa audiência sirva de base para futuros projetos de lei, parcerias público-privadas e novos investimentos federais voltados à transformação das periferias brasileiras.

Texto – Lola Nicolás

Foto – Robert Alves

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