Reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o lipedema afeta cerca de 8,8 milhões (12,3%) de brasileiras. Isso significa que mais de uma em cada dez mulheres convive com a doença, que ainda permanece pouco diagnosticada no país. Muitas pacientes passam anos enfrentando dor, inchaço, hematomas frequentes e limitações físicas antes de obter um diagnóstico e acompanhamento adequados.
A deputada federal Renata Abreu (Podemos-SP) é autora do Projeto de Lei 6391/2025, que cria uma linha de cuidado para pessoas com lipedema, garantindo diagnóstico, acompanhamento especializado e tratamento no SUS e pelos planos de saúde.
O lipedema é uma doença crônica caracterizada pelo acúmulo desproporcional de gordura, principalmente nos membros inferiores, acompanhado de dor, sensibilidade e impacto na mobilidade. Embora reconhecida pela OMS, a condição ainda não possui protocolos específicos de atendimento e tratamento estabelecidos no SUS, o que contribui para o subdiagnóstico e para a demora no início dos cuidados adequados.
Apesar da alta prevalência, as pacientes têm seus sintomas confundidos com obesidade, celulite ou linfedema, percorrendo uma longa jornada até receber o diagnóstico da doença.
“O lipedema não pode continuar sendo uma doença invisível. Essas mulheres convivem diariamente com dor, limitações físicas e sofrimento emocional sem receber o atendimento adequado. Precisamos garantir diagnóstico precoce, acolhimento e acesso a cuidados que realmente façam diferença na vida dessas pacientes”, afirma Renata Abreu.
Pela proposta, as pacientes terão direito a diagnóstico clínico e por exames complementares, acompanhamento multiprofissional, tratamentos conservadores, fornecimento de materiais de compressão, medicamentos quando indicados e procedimentos cirúrgicos nos casos necessários e respaldados por protocolos médicos.
O projeto também prevê que o SUS desenvolva programas específicos voltados ao lipedema, incluindo ações de prevenção, educação em saúde, capacitação de profissionais e produção de estudos sobre a doença.
A dor crônica, as limitações funcionais e o preconceito enfrentado pelas pacientes afetam diretamente a saúde emocional e a autoestima. Além dos impactos físicos, o lipedema está frequentemente associado a quadros de ansiedade e depressão.
O tratamento não tem finalidade estética. O objetivo é aliviar os sintomas, reduzir a dor, preservar a mobilidade e melhorar a qualidade de vida. Entre as abordagens recomendadas estão orientação nutricional, atividade física, drenagem linfática, uso de meias de compressão e acompanhamento psicológico. Em casos mais avançados, pode haver indicação de cirurgia especializada.
Na saúde suplementar, a proposta de Renata Abreu determina que os planos de saúde ofereçam cobertura para exames, acompanhamento multiprofissional, tratamentos conservadores e procedimentos necessários ao tratamento da doença, seguindo as diretrizes da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
“Estamos falando de uma questão de saúde que afeta milhões de brasileiras. Reconhecer o lipedema e garantir uma linha de cuidado adequada significa devolver dignidade, qualidade de vida e segurança para quem convive diariamente com essa condição”, conclui a parlamentar.
Texto – Lola Nicolás
Foto – Luís Felipe Morais
